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Dia do Trabalho: o consumo e o design

Já se passou mais de um século desde a reunião da Segunda Internacional Socialista que instituiu o dia 1º de Maio como o Dia Mundial do Trabalho, em homenagem a luta de milhares de trabalhadores que foram às ruas de Chicago reivindicar melhores condições de trabalho e também a memória daqueles que perderam suas vidas no confronto com a polícia local.

O 1º de Maio é o único feriado comemorado no mundo inteiro e que não possui caráter religioso, político ou militar. Um reflexo sobre a importância e influência do trabalho em todas as sociedades e em todos modelos econômicos.

Mas o que era para ser um momento de reflexão, por vezes, se esvazia nas oportunidades de lazer e entretenimento, no repouso e nos momentos de confraternização com a família e amigos. Contudo, no momento atual da economia mundial, o Dia do Trabalho assume novamente seu papel de crítica e meditação profunda a respeito do modelo – ou de uma nova proposta de modelo – do mundo. Debate que passa, obrigatoriamente, pela questão do consumo.

Não é novidade para ninguém que a nosso modelo econômico e nossa sociedade está ancorada no consumo, que reduziu o papel dos trabalhadores, que um dia foram indivíduos, a redundância de produzir para consumir. Inclusive consumir produtos ou serviços com severas restrições e dúvidas sobre sua necessidade e utilidade. A equação é simples: se as pessoas não compram a economia não cresce.

Esta lógica domina a nossa sociedade e a empurra para uma economia de crescimento contínuo. Crescer não por necessidade, mas crescer por crescer. Se assumirmos como verdade que é inerente ao homem o desejo de crescer para se perpetuar, uma lei clássica da natureza, então, por analogia, sabemos que a única célula que cresce por crescer sem propósito é a cancerígena.

Nesta dinâmica os designers foram “convidados”, junto com engenheiros, gestores, marketeiros,…, a adotar valores e objetivos que sustentassem a economia de consumo. Porém, a última grande crise econômica mostrou que este modelo está em xeque, encurralado em sua esquizofrenia do crescimento a qualquer custo e na “descoberta” que ele é finito.

Se partimos da premissa que a administração enquanto ciência não é exata, nem tão pouco possui leis deterministas ou eternas; se considerarmos que a “tecnologia” da gestão – no sentido de conjunto de técnicas e métodos específicos de uma ciência – é resultado da evolução de um pensamento, primordialmente, ocorrida no primeiro quartil do século XX; e se estamos diante de novos desafios produzidos por um mundo cada vez mais complexo e veloz, podemos claramente vislumbrar que há um hiato entre a nova realidade que a gestão se defronta e a própria forma como ela lida com essa realidade. Ou seja, ao mergulhamos no século XXI é temerário considerar que a tecnologia da gestão, que nos atendeu em uma realidade sensivelmente diferente, possa servir aos propósitos que as atuais novas dinâmicas e lógicas impõem à gestão.

Não há pensamento sem paradigmas e se vamos criticar modelos precisamos propor alternativas factíveis que sejam capazes de unir inovação, estratégia e gestão em um coro uníssono. Um discurso em especial chama a atenção, o do Design Thinking, uma metodologia emergente cujo o conceito está intimamente ligado a uma forma de pensar que desloca o olhar tradicional analítico, sem abandoná-lo, para o foco na empatia, na experimentação e na colaboração.

As ideias sugeridas acima possuem implicações importantes na inovação da gestão. A proposta é de criar um diálogo através do auxílio de pontes de conhecimento entre diversas áreas de conhecimento com o objetivo de criarmos novos modelos de negócio. Não estamos aqui tentando descobrir se usamos um ou outro pensamento, mas sim queremos mostrar a força dos recursos que um com outro são capazes de gerar para atender os novos anseios de uma sociedade que, esperamos, foi um dia de consumo. Portanto, precisamos alinhar os modelos de negócios, as estratégias corporativas e as expectativa de resultados sustentáveis nesta nova realidade.

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